Appendix: The Pasquinades of 1821

WHILE MOST OF THE PASQUINADES NOTED IN CORRESPONDENCE AND POLICE RECORDS have not survived, or are not systematically accounted for in archives, several notes and simple constitutionalist verses, transcribed on small sheets of paper, in varied and at times crudely executed handwriting, and with varied spelling and orthography, can be found in Rio’s Itamaraty Archive.1 Although these notes, or poesias, as they were labeled by an Itamaraty archivist, are not accompanied by clear references that attest to the context in which they were written, some feature annotations that suggest they were confiscated by royal officials who attributed their authorship to those identified as leaders of and participants in the February 1821 revolt. The connection between the pasquinades and the February rebellion is further suggested in a report written February 24, 1821 by the police informant Cailhé in which he transcribed similar verses and reported that they had been “circulating” within the city all day:

Ás armas cidadões, ás armas peguem

Nem um só momento se perder deveis

Porque se a razão os reis não entendem

As armas a farão ouvir os reis.2

Another resident also registered the impact of such slogans: “Beware of the insolent ‘Long Live the Constitution, and death to all those who don’t approve,’” he warned an unidentified confidant, “it is no longer the golden pearl of our beloved and good sovereign.”3 In his Dom João VI no Brasil Manuel de Oliveira Lima also recorded a pasquinade from 1821 denouncing royal counselors, although he did not indicate the archival location of the document:

Excelso Rei,

Se queres viver em paz

Enforca Targini

E degrada Thomaz …4

Here, the references are to royal minister Tomás António Vila Nova Portugal, a staunch absolutist, and to Francisco Bento Maria Targini, chancellor of the royal treasury, Barão (1811) and later Visconde (1819) de São Lourenço, known for his lavish lifestyle and the focus of a corruption scandal in 1820, which, as J. F. de Almeida Prado notes, inspired a number of similar satirical pasquinades, including:

Quern furta pouco é ladrão,

Quern furta muito é Barão,

Quern mais furta e esconde,

Passa de Barão ao Visconde.5

What follows are transcriptions of a selection of the verses referred to in Chapter 7. In some cases their brevity and small format suggest the possibility of memorization and concealed circulation. It is also possible that they were to be sung, as the drafting and later publishing of “hymns” suggests. In denouncing absolutist government many authors of the pasquinades refer, as do those above, to royal counselors and officials by name.

1. Untitled:

Ás Armas Cidadãos! É tempo! Ás Armas

Nenhum momento mais perder deveis

Se a força da razão os Reis não cedem

Das Armas ao poder se dão os Reis.6

2. “Aviso”

Pelo povo ao Rei, o poder é dado,

Ao povo por tanto legislar compete,

Se a este aviso o Rei não cede,

Ás armas cederá o seo poder inerte.

Da Nação o Rei não é mais que Chefe,

Para executar a Lei por ela imposta.

Como é possível então que o Rei dite?

Não! Não! Cidadãos! eis a resposta!!

Vive o Rei que jurar

A sabia Constituição,

Que pelas Cortes foi dada

Da Portuguesa Nação7

3. “Untitled”

Como pode o Rei ao Povo dar a Lei,

Se do Rei no Povo há o poder?

Pode haver Povo sem ter Rei,

E Rei sem ter Povo pode haver?

Demite, Rei, de ti esses malvados

Que de todo a Nação querem acabar

Chama homens de bem, desinteressados,

Se queres tantos males evitar.

Ao Povo compete dar a Lei

Ao Rei fazela executar.8

4. “Tomás, deves apresentar isto a El Rei,” signed “Por um amante da Pátria”

Se queres ainda Reinar

Olha beato João,

Deves ira para Portugal,

E assinar a Constituição.

Se tu depressa não vais

Para o teu pais natal,

O’ João olha que perdes

O Brasil, e Portugal.

Detesta qualquer traidor

Que o contrário te encareça,

Uma vez ao Mundo mostra

Qu’ainda tens uma cabeça.

Não te fies no malvado,

No pérfido Tomás António:

Olha que quando te fala,

Por ele te fala o Demônio.

Isto o que deves fazer,

Se não és um toleirão,

De outra sorte te virá

A faltar o mesmo pão.

Assina a Constituição

Não te faças singular,

Olha que a teus vizinhos

Já se tem feito assinar.

Isto não só é bastante

Deves deixar o Brasil,

Se não virás em breve

A sofrer desgostos mil.

Se assim o não fizeres

Diz adeus a Portugal,

E Rei lá verás depressa

O Duque de Cadaval.

Repara pr’a o que te digo,

Não sejas um papa sorda,

Não desgostes Portugal

Antes que a desgraça te morda.

Se tu assim o fizeres

Serás de todos amado,

De vassalos e vizinhos,

O teu nome respeitado.9

5. “Comemoração á cegueira desta Corte”

Levantai vos ludibriosos que estais dormindo na madorna do pesado sono. Lembrai-vos que agora estais em tempo de pôr esta corte em ordem, e se agora o não fazeis, tendes perdido todo o vosso tempo vamos a consumar a vida a esta corja de ladrõens, que estão roubando os tesouros do rei; e os nossos vamos fazer as nossas obras em bom detalhe tanto para Deus, como para com a medida dar merecimento a quern o [tem que] pagar bem as nossas tropas finalmente. As armas [decidirão] a questão. Viva El Rei Dom João, toda a Família Real, e a nova Constituição, e morra tudo quanto é Ladrão.

6. “Himno”

É vossa devira

Leais Lusitanos,

Amar os Soberanos

A Pátria Salvar.__ P.voz.

1. Fiel patriotismo, … P.voz …

Da tropa briosa

Que a pátria ditosa

Veio salvar

2. Heroe filho ouvindo

Pai caro gemendo,

As armas correndo

O foi resgatar

3. E vós lusos, que os louros

Conquisteis altivos

Haveis de captivos

Ferros arrastar?

4. Brasil, não temas, arvora

Do luso império perdão

Que teu rei já confirmou

A nossa constituição.10

5. Realizou nossa esperança

Contra os votos dos malvados;

Vivam os lusos honrados

Reine a casa de Braganza

6. Astreia desça dos ceus

Alforea, paz, união,

A todos venham ditar

Luso império, constituição

7. De um lado esteja justiça

D’outro lado religião,

Firmando em bases d’ouro

Luso império de João

8. Em lugar mais eminente

Prezada em união

Lei divina, que inspira

A nossa constituição

9. Prestando o juramento

Curvados beijam a mão

Do pai, e filho, que durou

A nossa constituição

10. Ao mundo servindo

De pasmo, d’ exemplo

Da glória no templo

Já temos lugar.

11. Viva o heroe sexto João,

Rei unido de Portugal,

Viva o jovem principe real,

Viva a nossa constituição.

12. Valor lusitanos

Liberdade oprimida

A custa da vida

Se deve salvar … P. voz pela

Por voz pela pátria

O sangue daremos

por glória so termos

vencer, ou morrer.

7. “Quadros”

1. Grande rei, feliz monarcha

Pejo o ditoso João;

Faça a tua, e nossa dita

Assina a Constituição

2. A mesma para o Brazil

Da de leal coração,

Nao faças tua desgraça

Assig—

3. Vê que se perdes a Lizia

O Brasil perdes então;

Não tem mais p’ra onde fugir,

Assig—

4. Não quieram teus semelhantes

Arrastar sempre o grilhão,

Sê rei pela metade

Assig—

5. O valeroso Brazil

Ao norte vê o clarão

Teme o seu desespero

Assig—

6. Este mundo que habitas

É de outra geração

Se n’elle queiras reinar

Assig—

7. É muito tan to sofrer

Sempre em dura escravidão

Antes que os ferros quebrem

Assig—

8. Este rico continente

Está todo em convulsão

O teu mal é sem remédio

Assig—

9. Abre os olhos, que é tempo

De deixar à adulação

Lembra-te que és mortal

Assig—

10. Essa corja que te cerca

Urde a tua perdição

Manda enforca-la toda

Assina a Constituição.

8. Untitled

Temos tanta segurança

De cobrarmos liberdade

Que os Arcos do nosso templo

Somem-se na eternidade

Por tanto o [illegible] viçosa

Não te escusar protetor

Não suponhas ser loucura

Contra o barbaro opressor

Temos gente e temos armas

Temos dinheiro e valor

Temos um sabio marechal

Nosso amigo e diretor11

9. “Obra nova entitulada A Entrada do Careca pela Barra”

Tornastes a voltar filho da puta

Do país das araras, e coqueiros

O’ mal hajam os bananas brasileiros

Que vivo te deixarão nessa luta.

Agora que Ulisea a paz disfruta

Agora que reluz com seus guerreiros

Não se precisa de chefes estrangeiros

E menos de tão pessima conduta

Visita a meretriz e vai te embora

Tu lá tens um signal de gratidão

Cabedal que bem falta faz agora.

Ah crê bife, soberbo beberão

que exaltando tudo só por ti chora

A Lacerda, o Filhinho, e o Cabrão.12

10. “Ás Armas Portuguezes ás Armas amantes da Vossa Nação”

Ás armas habitantes desta Cidade já é tempo de quebrares os Grilhões em que a tanto tempo tendes Vivido enlaçados não pelo nosso augusto Monarca mas sim pelos que o trazem enganado e vendido esses nossos amantes [illegible] de povo; detais as escamas dos vossos olhos fora e não percamos um só momento por que Vos seguro que tereis quern Vos defenda e Seja o nosso Grito em geral Viva El Rei Dom João 60 e toda a família Real e vivão as cortes e para elas a Constituição do [Reino] do [Rio] de Janeiro13 aprecaivos quanto antes melhor pois já é mais que tempo e retempo Vêde os nossos amantes da nossa pátria o quanto tern feito na nossa Pátria; Grande Dia de Glória para o nosso Reino não fiquemos atrás Vem sabeis que somos os mesmos e devemos mostrarlhe que não ficamos atrás pois o que tern obrado para nos [deve cá lhe?] Corresponder se não ficaremos tidos e havidos por Covardes e indignos da Boa União; Agora acabo de ver o decreto que ontem baixou em que diz nomeara Sua Magestade os [Residentes?] então estavão [illegible] esses indevidos para que tornavão a ficar antes tinhamos o inferno dos Pobres de novo aceterado em fim Ás armas Portuguesas Sem demora abrir os Olhos em quanto é tempo. Ás armas amigos da nação Não tenhais medo; Viva El Rei Dom João 60 e a Constituição do Rio de Janeiro”—“Na Impressão Régia da N” 14

11. Untitled:

Iludido monarca os olhos abre

encara e descortina o vasto abismo

que do teu gabinete os vãos conselhos

por alargar a [anocão?] noite e dia

Repara que a origem da crueza

augmenta mais, e mais o teu perigo

Caga que o [illegible] exasperava

cura muito melhor cheiroso balsamo

Não é de Pernambuco tão somente

o que [odias] crimes o mal abrange

do famoso Brazil o corpo inteiro

não creias possa haver Brasiliana

que cedo veja com enxutos olhos

em ferros seu irmão Pernambucano

se o medo lhes [mascera] os sentimentos

o medo tern limites; e dos males

quando se enche amedida furiosa

arrebenta a vingança e tudo involve.

Ai do Rei insensato, que o provoca

que podendo ter de pai o nome o doce nome

prefer ser de povos o tirano15

The Biblioteca Nacional in Rio de Janeiro also retains at least one example of similar verses, labeled “Versos contra o governo de Dom João VI.”

Brasileiros decipai tudo o que pode servir

de Obstáculo do nosso socego, e os vossos inte—

resses, tirai de entre vos a prisão e fonte

donde tern manado todos os vossos des-

graças, e para segurar a Vossa feli-

cidade é necessario que—

Morra Francisco Lobato

Targini e Leão

Morra Frei Tomas António

Inimigo da Nação.

Paulo Fernandes Viana

Amaro Velho e Vieira

Rebelo, Filho e Carvalho

Tudo se faça em poeira.

O nosso Grão de Bico

Também deve ir desterrado

ou estar na Ilha das Cobras

Nove meses encerrado.

É preciso estar de molho

Porque ja é [Tanjão]16 velho

É por esta razão

Que eu dou este conselho.

O nosso Marquês de Loulé

Também ha de entrar na dança

Agora pagará o que fez

Quado se passou a França

O Conde de Parati

Vai tomar ares Emgola

E para distintivo traga

Em cada pe uma Argolá.17

NOTES

1. AHI Lata 195 Maço 6 Pasta 13 (formerly Lata 195 Maço 7 Pasta 12).

2. Cailhé to [Viana?], February 24, 1821, transcribed in Marcos Carneiro de Mendonça, Dom João e o Império no Brasil, a Independência e a Missão Rio Maior (Rio de Janeiro: Biblioteca Reprográfica Xerox, 1984), 445.

3. [Anonymous], n.d., AHI Lata 195 Maço 6 Pasta 13 (formerly Lata 195 Maço 7 Pasta 12). The note begins “… depois do desoito nada se pode remediar.”

4. Manuel de Oliveira Lima, Dom João VI no Brasil, 1808–1821 (1908) (Rio de Janeiro: José Olympio, 1945), 964.

5. See J.F. de Almeida Prado, D. João VI e o início da classe dirigente do Brasil, 1815–1889 (Sao Paulo: Companhia Editora Nacional, 1968). As early as 1812 Marrócos records a “pasquin” with references to Targini. See Cartas de Luiz Joaquim dos Santos Marrocos (Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional/Ministério de Educação e Saude, 1939), 64.

6. See Chapter 7, Figure 13. A note on the back of this document reads: “É uma do [Major] Pimenta.” The Itamaraty archive has three different copies of this verse. Two appear to have been written in the same handwriting.

7. The Itamarty Archive has two copies, in different handwriting, of this Aviso.

8. These verses appear transcribed on one copy of the above “Aviso.”

9. See Chapter 7, Figure 15. Before the Porto rebellion there were rumors in Portugal that the Duque de Cadaval, a descendant of the second Duke of Braganza, was planning to claim the Portuguese throne. See Valentim Alexandre, Os sentidos do império: questão nacional e questão colonial na crise do antigo regime português (Porto: Afrontamento, 1993), 464; and Josè Anselmo Correa Henriques to Sua Alteza Real, Hamburg, October 26, 1820, in Ângelo Pereira, D. João VI, principe e rei v. 3 (Lisbon: Empresa Nacional de Publicidade, 1956), 293–296.

10. The word that appears to be “perdão” is barely legible, and could also be “pendão” from “pender.”

11. A note on the back of the document reads “24 Fevereiro.” The reference to “Arcos,” underlined in the original, may be to the Conde dos Arcos. See Chapter 7 for his position within local constitutionalist politics in Rio de Janeiro.

12. These verses appear to refer to Dom João’s return to Lisbon.

13. Here the text reads “do Ro do Ro de janeiro.” This may be an erroneous repetition or the use of the same abbreviation to refer both to “Reino” and “Rio.” See Maria Helena Ochi Flexor, Abreviaturas: Manuscritos dos Séculos XVI ao XIX (São Paulo: Secretaria da Cultura, 1979).

14. AHI Lata 195 Maço 7 Pasta 2.

15. A note on the back reads “20 de fev.”

16. The word that appears to be “tanjão” is not completely legible. On the back of the document, in different handwriting, appears the annotation: “Macamboa, Goes, Pimenta.”

17. BNRJ Ms. I–33–30–40.

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